terça-feira, 30 de março de 2010

Islândia: O lugar do Gelo e do Fogo



O mais jovem país da Europa - geologicamente falando - ainda está em formação. Um pouco por todo o lado, no alto das montanhas e debaixo dos glaciares, há um rio de fogo que vai modificando a paisagem primitiva da ilha. Um olhar sobre a Islândia.



ISLÂNDIA, SOB O SIGNO DO FOGO

O nome dá uma ideia do que nos espera: “Ísland”, Terra de Gelo. E o nome não se deve apenas ao clima frio: a própria natureza é árida e agreste como gelo. Sobre o chão de lava escura pouco consegue crescer para além de líquenes e algumas plantas rasteiras; é a esta quase completa ausência de árvores que se deve a velha piada “se estiver perdido numa floresta islandesa, levante-se”.
Islândia
Islândia
Em Skaftafell, um dos parques naturais favoritos dos islandeses, umas bétulas finitas são carinhosamente visitadas por famílias, mas só por comparação com a magra vegetação do país é que podem ser classificadas de “árvores”. As que existiam foram sendo destruídas pelos primeiros colonos, e os rigores climáticos tornam o crescimento da flora extremamente lento - no Verão, as temperaturas não costumam ultrapassar os 14° C.
Cerca de um terço da ilha fica acima dos seiscentos metros de altitude e as montanhas tomam cores irreais graças à actividade vulcânica, com o sopé muitas vezes debruado a amarelos-enxofre, acompanhado de fumarolas e lagos de lama cinzenta e borbulhante. Este deve ser o melhor local do mundo para observar os movimentos de transformação do planeta. Para além das fumarolas e dos campos de lava, também há géiseres fabulosos, como o Strokkur, que chega a atingir vinte metros de altura - não admira que a palavra géiser venha do islandês geysir.


VULCÕES NA ISLÂNDIA

Islândia
Islândia
Quanto a vulcões, são mais de cem, e o Hekla e o Katla continuam perigosamente activos; mesmo debaixo das calotas de gelo, como a do Vatnajokull, que atinge os mil metros de espessura, brota o fogo da terra, derretendo e alterando constantemente a forma do glaciar. Enquanto ao longo da costa o mar banha os sandur, deltas de areia negra, o interior é de uma aridez lunar: planaltos desérticos de lava em vários tons de negro, rochas enormes, vulcões e rios que descem dos glaciares, mas que não conseguem dar vida às margens. De vez em quando, gigantescas quedas de água, como a Dettifoss, que tem o maior caudal da Europa (quinhentos metros cúbicos por segundo), atroam por desfiladeiros cada vez mais profundos. Quanto à actividade sísmica, basta dizer que Thingvellir, local histórico onde se reunia o que é considerado o mais antigo parlamento do mundo, também é o local de encontro entre as placas tectónicas europeia e americana.
Felizmente os islandeses não são indiferentes a nada disto. Faz parte da educação colectiva a responsabilização de cada um em relação a um equilíbrio tão precário, como é o da natureza nesta ilha. De forma pragmática e sistemática, o país aproveita os seus recursos sem os destruir. Por exemplo, o indispensável aquecimento dos edifícios é feito, em mais de 90% dos casos, através do aproveitamento geotérmico; o sistema eléctrico é alimentado quase na totalidade por fontes geotérmicas e hídricas. Mais do que isso, a Islândia tem ainda um projecto pioneiro para aproveitamento do hidrogénio líquido, que deve levar à substituição total dos combustíveis fósseis num prazo de trinta anos.


REIQUEJAVIQUE
A capital, Reiquejavique, é igual a todas as povoações que encontramos pela ilha fora, só que um bocadinho maior. Os prédios são raros e nunca muito altos, o trânsito é desafogado, as ruas largas, os canteiros ajardinados com flores garridas. Cerca de cento e setenta mil de um total de duzentos e cinquenta mil habitantes, vivem aqui. As ovelhas são bem mais abundantes: ultrapassam as setecentas mil, três vezes mais do que os islandeses. Akureyri, a segunda cidade, fica na costa norte, mas a paisagem urbana é a mesma, feita de casinhas baixas e garridas com um inexplicável ar de pré-fabricado.
Islândia
Islândia
A cerca de quarenta quilómetros da capital, a lagoa Azul deu fama à central geotérmica que lhe está adjacente. Só aqui nos podemos banhar ao ar livre em água naturalmente aquecida, opaca e azulada, num cenário de chaminés metálicas que nos remete para um filme de ficção científica. Na encosta dovulcão Krafla, um dos vinte e quatro furos com mais de dois mil e trezentos metros de profundidade, expele vapor a duzentos graus centígrados e o rugido assustador de uma panela de pressão prestes a rebentar. Junto ao lago Mývatn podemos apreciar a permanente reformulação da ilha: quando um dos vulcões da zona lançou lava para os pântanos que ali existiam, formou-se uma fila de falsas caldeiras, redondas e alinhadas, na borda do lago. Estes são apenas alguns dos locais onde é possível ver e sentir o nascimento e transformação do que é considerado como o mais jovem país da Europa, geologicamente falando.
Dizem os cientistas que, dentro de alguns milénios, se não tivermos conseguido acabar de vez com o planeta, é possível que existam até duas Islândias; uma linha de tensão avança de norte a sul da ilha, rasgando-a em duas, atravessando o glaciar de Vatnajokull em direcção a Fjallabak. O encanto da Islândia resulta justamente deste seu lado selvagem e do carácter efémero da sua beleza. Glaciares de um azul arrepiante, fumarolas sibilantes, lagoas de lama pálida e cones escuros de vulcões silenciosos são as memórias que ficam desta ilha feita de fogo.


QUEM MORA NA ISLÂNDIA
Intitulam-se “filhos dos vikings” porque, à parte algumas mal provadas permanências de monges irlandeses, os primeiros e definitivos colonos foram, de facto, escandinavos, sobretudo noruegueses. Entre 800 e 1066, durante o terror dos raides vikings que assolaram e ocuparam quase todo o território da Irlanda e da Grã-Bretanha, chegando mesmo à costa do Norte de África, muitos foram os nativos destas ilhas que se refugiaram na Islândia, misturando-se com as populações locais. A ilha tornou-se muito cedo uma província da Noruega e passou para as mãos da Dinamarca durante a União de Kalmar, que reunia estes dois países e a Suécia. A independência total só chegou em 1944. Tal como na Escandinávia, é nas sagas que podemos encontrar referências à vida dos primeiros colonos.
Islândia
Islândia
O isolamento relativo da ilha e a sua reduzida povoação não apagaram as suas raízes nórdicas, mas “congelaram” a língua, por exemplo; ainda hoje se fala uma língua arcaica, muito próxima da dos vikings - uma espécie de latim escandinavo. O mais antigo parlamento do mundo, o Althing, nasceu no século X, o que faz com que muitos considerem esta república a primeira democracia da Europa. Poderíamos acrescentar que é também uma das mais verdadeiras, dado que conjuga um sistema de saúde abrangente, uma assistência social sem exclusões e pouca diferença de salários entre, por exemplo, um médico e um pescador especializado. Ainda por cima, trabalhar é mesmo um hábito; os estudantes trabalham nas férias, que vão de Maio a Setembro, e muitos adultos arranjam trabalhos extra, já que o nível de vida da ilha não se compadece com férias. Tudo é importado, à excepção do peixe, dos derivados de ovinos e pouco mais, o que torna o país num dos mais caros do mundo.
No século XI, o cristianismo foi adoptado como religião do país, substituindo o panteão de deuses nórdicos. Apesar disso, a moral cristã nunca foi completamente absorvida pela população no que diz respeito, por exemplo, ao casamento. Ainda hoje, um terço das crianças da ilha nascem de pais muito jovens e não casados, sem que isso seja um problema para as respectivas famílias. E também por aqui continuam as histórias de duendes, fadas e gnomos, que habitam em determinados locais, cuidadosamente evitados por muitos. Diz-se que chegaram mesmo a ser alteradas construções e alguns traçados de estradas, para não incomodarem estas criaturinhas vingativas.


A ISLÂNDIA AO NATURAL
A Islândia é uma das maiores ilhas do Atlântico Norte, com pouco mais que a área de Portugal. O Círculo Polar Árcticopassa poucos quilómetros a Norte da ilha principal, na pequena ilha de Grímsey. Geologicamente, é o mais jovem país da Europa e um dos vulcanicamente mais activos a nível mundial. De vez em quando uma erupção ocorre e o país é presenteado com mais uns quilómetros de território; foi o caso da ilha de Surtsey, por exemplo, que “nasceu” em 1963.
Islândia
Islândia
A nível da flora, para além dos líquenes que formam a tundra e de algumas bétulas dispersas, a zona mais rica e diversificada encontra-se na área do Parque Nacional de Skaftafell, no sul da ilha. As bétulas são maiores, assim como a sorveira. Abundam as saxifragas, angélicas e campainhas, e começam a fixar-se alguns salgueiros. Quanto à fauna, convém lembrar a abundância de peixes de águas frias, que incluem o nosso amigo bacalhau, para além de uma série de mamíferos aquáticos, como as focas do Árctico e dezassete tipos diferentes debaleias, a quem os islandeses não dão muito descanso apesar de todos os apelos internacionais.
Mais em terra, depois de as renas terem sido consideradas extintas nos anos trinta, e de os ocasionais ursos polares serem sempre expulsos para o mar a tiros de caçadeira, resta destacar as raposas e as martas, para não falar na abundância de ovelhas e dos característicos cavalos islandeses. A ilha é particularmente rica em aves. Para além de uma série de espécies vulgares, como gaivotas e carriças, também existem grandes colônias de moleiros grandes, de papagaios-do-mar, e diversos grupos de gansos e patos distribuídos pelos lagos e pântanos do país. Os insectos fazem-se representar por algumas borboletas e uns mosquitos que, a avaliar pela sua voracidade, devem ser aparentados com vampiros.


Islândia
Islândia
Islândia
Islândia




GUIA DE VIAGENS



LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DA ISLÂNDIA

A Islândia é o território mais a Norte do continente europeu, sendo o seu vizinho mais próximo a Gronelândia.


CLIMA

A informação anterior justifica que se avise o potencial visitante sobre a necessidade de viajar durante o pino do Verão, de preferência em Agosto.


COMO CHEGAR À ISLÂNDIA

Pesquisa e reserva de voos na eDreams
A Iceland Air, em combinação com a Air France ou a British Airways, voa para Reiquejavique por cerca de 1600 euros. Uma vez na Islândia, só há uma estrada alcatroada, onde circulam os transportes públicos regulares - a “ring road”, assim chamada porque circunda a ilha. Para aceder ao interior, só de viagem organizada, jipe BTT - ou a pé.


HOTÉIS NA ISLÂNDIA

Hotéis
Na capital não falta escolha, do Youth Hostel ao luxuoso Hotel Saga. Um pouco por toda a ilha, é possível encontrar um dos Edda Hotel, que funcionam como casas de estudantes durante a época escolar e hotéis durante o Verão, e que são uma boa opção para o equilíbrio qualidade/preço - não esquecendo que este é um dos países mais caros da Europa..
Reserva de hotéis na Hotelopia
Pesquisa e reservas em Hotelopia: Hotéis Islândia


A NÃO PERDER

Islândia
Islândia
A natureza é, de facto, o mais espantoso espectáculo da ilha. Dos locais a não perder destacam-se os Parques Nacionais de Skaftafell, Thingvellir e Jokulsárgljúfur. O primeiro protege parte do Vatnajokull, o maior glaciar da Europa e, mesmo ao pé, pode percorrer-se de barco a enorme lagoa de Jokulsárlón, por entre enormes icebergues. No último fica a gigantesca queda de água de Dettifoss. Também a de Godafoss, perto do géiser Strokkur, é muito impressionante. Passear nas margens do lago Mývatn, subir ao vulcão Kraflae percorrer a área de Landmannalaugar são pontos muito altos numa viagem à ilha. Caso tenha tempo, não perca também uma visita à ilha de Vestmannaeyjar, mais a Sul.


O QUE COMPRAR NA ISlÂNDIA

O artesanato mais interessante são os tricôs (camisolas, gorros, luvas, etc.) com desenhos nórdicos. Certas joalharias também oferecem jóias de prata de grande beleza, com design de inspiração viking.


ONDE COMER

Nas duas cidades principais estão representadas as cozinhas internacionais (indiana, italiana, etc.), grande parte dos cafés têm refeições económicas e não faltam os fast food americanos. Em Reiquejavique há pelo menos um restaurante vegetariano, na rua Laugavegur nº 20. Um dos mais bem cotados lugares para comer é o moderníssimo restaurante Perlan.



O QUE FAZER

Para quem não se importa de fazer esforço, a exploração de certas partes da ilha, como o interior e algumas áreas de fiordes, faz-se melhor de bicicleta, a pé, ou com os pequenos cavalos islandeses. O turismo pode dar-lhe informações sobre este tipo de actividades, à chegada a Reiquejavique: Tourist Information Center, Bankastraeti 2. Caso contrário, também há excursões e pequenas viagens organizadas para todos os lugares acima referidos.


Fonte: .almadeviajante.com

domingo, 30 de agosto de 2009

Peru o novo point da América do Sul


País esbanja belezas naturais, história e gastronomia para virar o novo destino da vez. E ainda é mais barato que Chile e Argentina

LIMA – Uma reportagem no programa Fantástico, da TV Globo, causou um trauma tão grande que, durante pelo menos 20 anos, visitar o Peru ficou de fora dos meus roteiros turísticos. Muito mais do que a ameaça das ações terroristas do Sendero Luminoso. Uma das maravilhas do mundo, Machu Picchu mereceu todo o destaque na edição daquele domingo remoto, sem controle remoto. Seria uma expedição a pé e a casco de mulas a partir de Cuzco, pela famosa Trilha Inca – talvez três ou seis dias, não lembro. É apenas um detalhe. Tudo seria encantador e parecia valer o esforço incaico olímpico da equipe nos dias de caminhada. Mas tinha um porém: a repórter Glória Maria. Durante a exibição, ela deve ter falado pelo menos umas mil vezes o nome Machu Picchu. Machu Picchu repetido como um mantra cansa. E ela fez uma cara de sofreguidão a cada trecho percorrido, uma cara tão medonha que até quem estava em casa, na poltrona, teve o soroche, o mal da altitude, ficou com falta de ar, meio tonto, querendo uma bombinha para asma ou inalação de oxigênio puro. Agora o trauma foi superado.

Visitar Machu Picchu, passar pelo menos um dia, uma tarde, um pôr de sol meditando, contemplando a sua arquitetura, engenharia e beleza, se espantando com tudo, por si só, vale uma viagem ao Peru. É inesquecível. Você vai querer ligar pelo celular para a família, amigos, namorada. E vai conseguir, sim senhor.


O país, porém, tem muito mais a oferecer: em beleza natural e cultura – gastronomia, artesanato e tradição. Lembre-se: é berço da civilização pré-colombiana dos incas. Qualquer visita será incompleta se não incluir no roteiro Lima (Miraflores, San Isidro e Barranco), a cidade branca de Arequipa e o vulcão Misti, as linhas de Nazca, o cânion do Vale do Colca, Puno às margens do Lago Titicaca com as Ilhas dos Uros, as ruínas e as trilhas incas de Cuzco, as lagunas e picos nevados de Huaraz, na Cordilheira Branca, a exuberância amazônica de Iquitos, as falésias de Tumbes e Mâncora ao Norte, as praias das águas geladas da Corrente de Humboldt ao Sul, em Las Lomas, Paracas Ilhas Ballestas e Puerto Inca. E tudo com um precinho mais em conta do que os vizinhos Argentina, Uruguai e Chile.

Para o turista gourmet, a projeção internacional da gastronomia peruana pelas mãos do chef Gastón Acurio é um excelente motivo para pegar um voo para o Rio ou São Paulo e de lá seguir para Lima. Gastón abriu recentemente seu primeiro restaurante no Brasil. Na capital paulista, inaugurou filial da cevicheria La Mar. A gastronomia é um dos maiores orgulhos nacionais – Lima se diz a capital gastronômica da América Latina. Gastón é um misto de midas e popstar. Com a esposa, abriu o Astrid y Gastón, em Lima, e depois o La Mar. Hoje, está presente em 14 países, com 41 restaurantes.

No Recife, os pernambucanos já podem saborear, antes de embarcar, um pouco das iguarias da cozinha peruana contemporânea, com ascendência nikkei, no restaurante Chiwake, do chef Aníbal Fernandes, Biba, no Kojima, do chef Alexandre Faeirnstein, ou em festivais da chef limenha Belén Páramo.

Para uma viagem inesquecível ao Peru, boa dose de planejamento é essencial. Afinal, é o terceiro maior país da América Latina, com 1,285 milhão de km². Os peruanos se orgulham de ter um pouco de tudo em termos de clima e geografia – possui 84 dos 114 ecossistemas do mundo. A costa é banhada pelo Oceano Pacífico ao longo de seus 2.400 km e é formada pelas falésias do deserto litorâneo (la costa). É cortado de cima a baixo pelos Andes (la sierra), chegando a quase sete mil metros de altura no nevado Pico Huascarán e a 400 km de largura. E ainda se embrenha pela Floresta Amazônica (la selva), que equivale a quase 60% do país, que faz fronteira com o Equador, Colômbia, Brasil, Bolívia e Chile.

Depois de décadas de turbulência política e crise econômica, o Peru vive um momento de certa estabilidade, embora não tenha se livrado de três males: corrupção, miséria e violência. Estava em ritmo acelerado de crescimento, com o preço de suas principais commodities em alta – cobre, zinco, ouro, milho, arroz e pesca (é o segundo maior produtor do mundo) –, quando também foi pego pela crise mundial. A boa fase pode ser vista no novo boom imobiliário de Lima e no investimento bilionário na duplicação da Carretera Panamericana, que corta o país de Norte a Sul pelo litoral – de Tumbes, na fronteira com o Equador, a Tacna, na fronteira com o Chile.

Marcelo Pereira

JC Online

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Monte Verde (MG): Lugar para quem busca sossego

Basta a temperatura baixar para a Serra da Mantiqueira virar sinônimo de badalação. Mas não em Monte Verde.
Na mesma altitude de Campos do Jordão, só que do lado mineiro da fronteira, o vilarejo de 4.000 habitantes conserva um estilo pacato, mas não menos romântico e agradável para passar as férias de inverno.
Ivan Luiz Padovani/Divulgação
Caminhada para o mirante do Aeroporto, considerado um dos mais altos do país, localizado a mais de 1.500 metros de altitude
Caminhada para o mirante do Aeroporto, considerado um dos mais altos do país, localizado a mais de 1.500 metros de altitude
Cheio de pousadas com inspiração alpina, não há muito a se fazer por lá. Mas esse é justamente o principal atrativo de Monte Verde.
Boa pedida para namorados em busca de sossego, o distrito do município de Camanducaia é também destino certo para amantes da natureza.
A 1.554 m de altitude, é cercada por montanhas com araucárias. Nessa época, as temperaturas ficam negativas na madrugada, fazendo com que a vegetação fique, por algumas horas, branca de geada. Por isso, os mineiros já apelidaram o vilarejo de "Suíça de Minas".
Editoria de Arte/Folha Imagem
A alcunha também vem da história. O vilarejo foi fundado em 1938 por um casal de imigrantes da Letônia, os Grinberg, cujo sobrenome significa justamente Monte Verde. Há muitos passeios, sobretudo montanha acima.
Após uma hora e meia de caminhada, chega-se à Pedra Partida, a 2.050 m de altitude, com bela vista da Serra da Mantiqueira.
Outras trilhas levam ao Chapéu do Bispo e à Pedra Redonda. Mesmo pequena, Monte Verde também oferece bons restaurantes, que mesclam a tradicional gastronomia mineira aos sabores da cozinha internacional. Um dos destaques são os pratos à base de truta, peixe de águas frias.
MAURÍCIO MORAES
da Folha de S.Paulo

Alasca: Beleza e aventura levam mais de 1 mi de visitantes ao ano

Não foi só no Alasca: Sarah Palin, 45, candidata derrotada à vice-presidência na chapa do Partido Republicano nas últimas eleições norte-americanas, deixou, de novo, todo o mundo político boquiaberto ao anunciar sua renúncia ao governo do Alasca, devendo deixar o posto no próximo dia 26.
Primeira mulher -e a mais jovem- a ocupar o cargo, tem governado o mais extenso Estado norte-americano, de 1.518.800 km2 (área semelhante à da Amazônia brasileira), mais de olho na mídia do que na economia e na "realpolitik".

Silvio Cioffi/Folha Imagem

Paisagem próxima ao glaciar Hubbard, um dos mais gigantescos blocos de gelo da região de "Inside Passage"

Fazendo as vezes de "a verdadeira americana", essa ex-miss foi guindada em 2008 à condição de celebridade e, inúmeras vezes, ridicularizada por suas declarações infelizes em programas humorísticos.
Mas, a despeito da política atabalhoada e dos estereótipos largamente disseminados de que o Alasca é uma terra gelada e inóspita, o 49º Estado dos EUA esbanja saúde nos quesitos turismo de cruzeiro e turismo de aventura.

Nostálgicas e imersas num cenário natural grandioso, as cidades de Juneau, capital e antigo centro madeireiro e de mineração; Ketchikan, um pitoresco entreposto de pesca no sopé das montanhas; e Skagway, a porta de entrada para o outrora selvagem território de Yukon - todas elas na região da "Inside Passage"-, atraem 1,2 milhão de passageiros/ano a bordo de transatlânticos.

Pela proa são vistos glaciares e fiordes, as paisagens idílicas dos parques nacionais e oportunidades de passeios que colocam o viajante em contato com a cultura dos antigos habitantes nativos em locais que mostram totens e em museus bastante bem organizados.

Durante os cruzeiros são oferecidos tours de charrete, de barco, de helicóptero, de carro-anfíbio, de trenó e de hidroavião em cada um desses portos da "Inside Passage".

E, fora do circuito propriamente turístico, há Anchorage, a maior cidade do Alasca, que, servida por voos da Alaskan Airlines, faz as vezes de centro financeiro e industrial.

Reviravoltas da história
Silvio Cioffi/Folha Imagem

Detalhe de Loggerville, bairro-fantasma flutuante nos arredores de Ketchikan
Quando, em 1959, o então presidente Dwight Eisenhower decidiu pela emancipação do Alasca e transformou em Estado esse território cuja área equivale a 20% dos EUA, houve quem considerasse a medida inoportuna, temendo o excesso de regulamentação e o aumento das taxações sobre as principais atividades da economia de então: a mineração, a extração de madeira e a pesca de salmão.

O Alasca, que havia pertencido à Rússia dos czares até 1867, quando foi comprado pelos EUA por US$ 7,2 milhões, dista apenas 90 km do extremo oriental da Sibéria e foi, desde tempos imemoriais, habitado por povos nativos, como os esquimós e os aleuts, para quem o termo "alaskhak" significava terra grande.
Foi, a partir do final século 18, objeto da cobiça de várias potências, caso da Espanha, do Reino Unido e até da França.

Já como território dos EUA, entrou para o mapa-múndi da economia com a Corrida do Ouro e, com o tempo, além da produção aurífera, encontrou prata, petróleo, minério de ferro e minerais considerados estratégicos, como tungstênio, antimônio, grafite e enxofre.


A pesca do salmão e dos caranguejos "king crab" e dungeness, junto da extração de madeira, alavancam o progresso desde antes da Segunda Guerra (1939-1945).

Nessa época, por sua posição geopolítica estratégica, os EUA decidiram tirar o Alasca de sua relativa ingenuidade extrativista e lá construíram diversas instalações militares.

Em 1942, ano em que os EUA se envolveram mais diretamente na guerra mundial, três das ilhas do arquipélago das Aleutas foram ocupadas pelo exército japonês.
O Alasca foi, a rigor, a única área do continente americano a ser invadida pelas forças do Eixo Roma-Berlim-Tóquio durante o conflito.

Os EUA reconquistaram esse território um ano depois, em 1943. À época, eram 150 mil os soldados ali alocados -e, finda a Segunda Guerra, muitos deles ficaram na região, considerada uma terra de oportunidades.

Relativamente isolado, o Alasca ostenta o título de um dos menos populosos Estados dos EUA: com cerca de 660 mil habitantes, tem 0,42 hab/km2.

Montanhoso e cercado pelas águas, é realmente um local ideal para ser desvendado a bordo dos transatlânticos de cruzeiro que, de agora até setembro singram as águas calmas da "Inside Passage".
Ali, entre os mamíferos marinhos, há baleias jubarte (ou "humpbacks"), orcas, golfinhos, focas e leões-marinhos. Um dos pássaros mais comumente avistados é a águia-careca, ou águia-de-cabeça-branca, que faz seu ninho nas proximidades de Ketchikan e de Juneau, onde o viajante que sobe no teleférico de Mount Roberts ou vai de carro até o glaciar de Mendenhall se depara com avisos de que é ilegal alimentar os ursos.


SILVIO CIOFFI
da Folha de S.Paulo, no Alasca
SILVIO CIOFFI viajou ao Alasca a convite U.S. Travel Association, da American Airlines e da Celebrity Cruises.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Parque Nacional do Caparaó: Trilhas e caminhadas


A Rota do Caparaó, no Espírito Santo, envolve 11 municípios do entorno do Parque Nacional do Caparaó, que fica na divisa do Estado com Minas Gerais. Durante os meses de inverno a temperatura chega a 0ºC.

As cidades que fazem parte da rota são Jerônimo Monteiro, Alegre, Guaçuí, São José do Calçado, Dores do Rio Preto, Divino São Lourenço, Ibitirama, Irupi, Iúna, Muniz Freire e Ibatiba. Além de todas as belezas do parque, os turistas podem aproveitar para conhecer cada um desses lugares.

O principal destaque da Rota é o Parque Nacional do Caparaó, que também agrega parte da Serra do Mar e da Mantiqueira, do Pico da Bandeira e do Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça. Outro atrativo da Rota do Caparaó é o Pico da Bandeira, o terceiro mais alto do Brasil.


O parque possui duas áreas de camping e várias cachoeiras. A Rota do Caparaó também costuma atrair os turistas pela vista do pôr-do-sol.

Opções de lazer e diversão na Rota do Caparaó



Parque Nacional do Caparaó
A maior atração é o Pico da Bandeira, com 2.890m de altura, o terceiro ponto mais alto do Brasil, com várias espécies vegetais e animais. Aproximadamente 70% do Parque fica em território capixaba.

Alegre
Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça. Com uma queda de 144m de altura, a cachoeira atrai centenas de visitantes.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha Capela mor de Alegre. Sua construção inicial é de 1851, feita em barro e madeira. Posteriormente a igreja foi ampliada e conta com vitrais que retratam a vida de Cristo e pinturas do indiano Diwali.

Solar Miguel Simão. Tem estilo art-nouveau e foi construído em 1927 pelo libanês Miguel Simão para servir de casa comercial de café.

Jerônimo Monteiro
Gironda. É uma localidade que reflete como foi o a época do ciclo do café e da cana, e possui todo seu casario preservado e restaurado.

Muniz Freire
Serras do Apolinário, do Valentim e a de São Cristovão, oferecem belas paisagens do Pico da Bandeira e da Pedra Azul.

Ibitirama
Fazenda Tecnotruta. Funciona também como pesque-paque e restaurante.

Dores do Rio Preto
Pedra Menina Serra. Possui várias cachoeiras e do alto dá pra avistar os picos da Bandeira e do Cristal. É um local ideal para o trekking.


Pico do Cristal. Seu acesso é feito por uma difícil trilha, localizada do lado oposto às que levam ao Pico da Bandeira. Recomenda-se a subida apenas para montanhistas ou para os conhecedores da região.

Divino de São Lourenço
Corredeiras da Mangueira e do Sumidouro. A primeira tem poço de águas claras e frias, adequadas para banho. A segunda, 100m de extensão e 15m de largura.

Cachoeiras Bonita, do Granito, da Jacutinga e da Prainha são algumas das principais do Município.

Irupi
Pedra da Tia Velha. É ideal para a prática de esportes radicais como rappel e asa-delta.

São José do Calçado
Pedra do Pontão. A formação do relevo do lugar favorece a prática de asa-delta e parapente

Guaçuí
Cristo Redentor. Localizado na entrada da cidade, a 700m de altura. Foi inaugurado em 1958 e tem 20,4m de altura.

Festival Nacional de Teatro. É o principal evento cultural do Município, realizado no Teatro Fernando Tomé.

Iúna
Água Santa. Atraídos pela fé, os turistas procuram as águas e o local em busca de cura e de salvação. A Pedra dos Milagres ou dos Pecados envolve uma gruta com uma abertura de 50 cm e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Ibatiba
Rochedos Pedra dos Três Pontões e Pico do Colossus.

Festa do Tropeiro. É uma das festas mais tradicionais da região do Caparaó.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Acampamento de luxo em plena Patagônia


foto: Divulgação
Estrutura.  Espaço oferece  18 barracas ou yurts, tudo com aquecedores
Estrutura. Espaço oferece 18 barracas ou yurts, tudo com aquecedores
A região da Patagônia, muito procurada por quem gosta de aventura e vida selvagem, agora abriga um grande espaço de luxo. O Patagônia Camp, projeto de luxo localizado na Patagônia chilena, é uma opção para quem quer entrar em contato com as belezas naturais mas não abre mão de conforto.

Às margens do Lago Toro, no setor de Torres del Paine, o local tem uma estrutura com 18 barracas ou yurts, com aquecedores, banheiros privados e decorados com elementos da cultura da Patagônia. O Lago Toro, um dos principais atrativos turísticos, é um bosque virgem de Coigues, Nirres, Notros e outras espécies da Patagônia.

Toda a construção tem inspiração na arquitetura do povo mongol, que abrange o conceito nômade com as cabanas ou yurtz. Os yurts se originaram nas altas estepes montanhosas de Ásia Central. Não se sabe muito bem como surgiu o primeiro yurt , nem quem foi seu criador. Mas as tribos nômades de Europa e da Ásia usaram essas estruturas arredondadas por milênios.

O desenho arquitetônico de todo o espaço respeita as condições do terreno, aproveitando o melhor que o espaço oferece, mantendo a geografia e as condições topográficas. O estar-bar-comedor e o quincho são as únicas construções sólidas do camping.

Passarelas possibilitam a comunicação entre cada uma das partes do complexo, inclusive as áreas comuns. A preservação da mata nativa também permite que árvores do local atraiam dezenas de aves, que observam com curiosidade a chegada dos hóspedes.

Gastronomia

Além de todos os atrativos naturais da Patagônia, o camping de luxo oferece um menu requintado, que pode ser degustado em um restaurante aconchegante ou no louge.

Os pratos servidos ressaltam ingredientes da culinária local. O turista pode deliciar desde um cordeiro magalhanico até uma merluza austral (peixe do sul do Chile), além de combinações com verduras e frutas frescas.

É possível chegar até o Patagônia Camp saindo de Punta Arenas, passando por Puerto Natales, ou ainda a partir de Calafate, cruzando a fronteira por Cerro Castillo. As principais linhas aéreas oferecem saídas diárias de Santiago, capital do Chile, até Punta Arenas.


Serviço

Sobre o Patagônia Camp
Mais informações: www.patgoniacamp.com


domingo, 24 de maio de 2009

Se essa rua fosse minha: Ruas de luxo pelo mundo


Um estudo recente publicado pelo Web Luxo, site que trabalha com venda de produtos requintados, conta um pouco sobre avenidas comerciais pelo mundo. Realizado pela Excellence Mystery Shopping International, organização que reúne institutos de pesquisa de mercado de diversos países, o estudo identificou as 17 ruas comerciais mais chiques do mundo. Entre elas estão endereços tradicionais, como a avenida Champs-Élysées, em Paris; a 5ª avenida, em Nova York; a Rua Oscar Freire, na região dos Jardins, em São Paulo; e a nova inclusão é da rua Deira CityCenter, em Dubai.

Para elaborar a lista, a Excellence Mystery Shopping analisou 17 ruas de reputação internacional e grande concentração de lojas de grifes. O estudo levou em conta também a arquitetura das edificações, as instalações das lojas, a disponibilidade de serviços além dos estabelecimentos comerciais. Também foram avaliados a limpeza, a segurança, o conforto, a cordialidade dos vendedores e o comportamento das pessoas que frequentam a rua.

Na maioria das cidades, tais ca-racterísticas foram aplicadas não a uma rua, mas a uma região ou bairro. A rua Serrano, em Madri, na Espanha, foi considerada a mais luxuosa do planeta, segundo os critérios utilizados em 2008 e 2009. Na via ampla e arborizada, as lojas ocupam o térreo de edifícios residenciais do início do século 20, o que contribui para o ambiente de sofisticação.

Para uma rua comercial ser considerada luxuosa não basta concentrar um bom número de lojas de marcas caras. Também precisa ser um espaço público agradável, bem frequentado e bonito. Quem compra roupas e acessórios de grife não pensa apenas nos atributos do produto, mas busca ganhos subjetivos, como bem-estar e satisfação pessoal. Daí a importância do ambiente em que é feita a compra. O cliente precisa ter a sensação de que faz parte de um clube exclusivo marcado pelo requinte e pela perfeição. A 5ª Avenida, em Nova York, a segunda colocada no ranking do luxo, é um dos locais que melhor dão ao freguês a sensação de estar no centro da sofisticação mundial. A via atravessa Manhattan, o coração da cidade mais cosmopolita dos Estados Unidos, e é repleta de prédios imponentes, museus, galerias de arte e hotéis estrelados.

Lugares como a 5ª Avenida e a Champs-Élysées, em Paris, a terceira no ranking do luxo, são cartões-postais de cidades importantes e ícones do consumo de alto padrão desde os anos 30. Instalar uma loja num endereço desses serve de cartão de visita para a grife. A avenida parisiense andou em baixa no início dos anos 90, com a proliferação de marcas populares e cadeias de fast food. A tendência inverteu-se nos últimos cinco anos. Há lojas novas da joalheria Cartier, da grife alemã Hugo Boss, e a Louis Vuitton inaugurou lá sua maior loja, de 1,8 mil m2.

Há várias vantagens comerciais em se instalar nos arredores de uma rua conhecida por concentrar o fluxo de consumidores de alto – e, cada vez mais, médio – poder aquisitivo. Uma delas é atrair os turistas, responsáveis por uma em cada quatro compras no mercado de luxo. No ano passado, esse tipo de comércio cresceu 31% em termos globais.

As ruas de luxo são tentativas de se recriar o clima elegante existente no passado. É um local onde, em princípio, as compras podem ser feitas com calma e possibilitam o encontro de pessoas com esse mesmo padrão de vida. Mais que os shopping centers, as lojas de rua ajudam o mercado de alto padrão a manter a mística de exclusividade que é o seu maior atrativo. Essa é a lógica que deu à Oscar Freire, onde as vitrines disputam a atenção dos pedestres palmo a palmo, a 9ª colocação no ranking das ruas luxuosas.

A rua Oscar Freire passou da 8ª posição no ano passado para a 9ª este ano, por causa da inclusão da rua Deira City Center, em Dubai. Hoje, a Oscar Freire e seus arredores é o endereço mais nobre do consumo de luxo no Brasil. A região reúne restaurantes, cafés e as principais marcas internacionais. O atendimento, segundo a pesquisa que deu origem ao ranking das ruas de luxo, é um dos melhores do mundo. Seu prestígio começou a crescer na década de 80, quando lojas se instalaram por lá para atender os moradores de bom poder aquisitivo e os hóspedes dos hotéis da região.

Fonte: www.clicrbs.com.br